sexta-feira, 12 de março de 2010

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Novo projeto de Luiz Marenco:


CONTOS EM CANTO Neste projeto pioneiro, Luiz Marenco coloca a disposição do público infantil toda a sua preocupação para com a valorização e preservação da cultura e folclore regional, pois tem a consciência de que as crianças devem conhecer a sua história, os usos e costumes do povo gaúcho, formando assim, cidadãos compromissados e responsáveis com a sua identidade local e cultural em contraponto com os jogos eletrônicos e a ociosidade em que vivem a maioria das crianças do nosso tempo. A idéia do CD sobre o folclore infantil foi do próprio músico Luiz Marenco e quem viabilizou o projeto junto a Lei de Incentivo a Cultura foi a empresa Soma 3 Assessoria e Consultoria. O projeto, portanto, conta com a aprovação do Ministério da Cultura e já está habilitado para captação dos recursos. Além de evidenciar o folclore gauchesco, Luiz Marenco quer que todos, indistintamente, tenham acesso à esta cultura. Por isso, quando do lançamento do novo CD será disponibilizado um intérprete de Libras e parte da tiragem do CD terá encarte com as letras em braile. O projeto cultural ainda prevê a distribuição de parte dos CDs para escolas municipais, bibliotecas, CTGs e instituições sociais. O lançamento provavelmente será ainda no ano de 2010 e está previsto para as cidades de Pelotas, Porto Alegre e Caxias do Sul sendo que as composições estão sendo criadas pelo compositor Sergio Carvalho, por Luiz Marenco e outros músicos.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Poesia

Coloco aqui uma linda poesia do nosso grande Jayme Caetano Braun:

Remorsos de Castrador

Um pealo --- um tombo --- grunhidos
de impotente rebeldia,
o sangue da cirurgia
No laço e no maneador.
Nada pra tapear a dor
do potro que --- sem saber,
perdeu a razão de ser
na faca do castrador.

Há um bárbara eficiência
nessa rude medicina,
a faca é limpa na crina
que alvoroçada revoa,
pouco interessa que doa,
a dor faz parte da vida.
Há de sarar em seguida,
desde guri tem mão boa.

Aprendeu --- nem sabe como,
a estancar uma sangria.
Sem noções de anatomia
é um cirurgião instintivo
que --- por vezes --- pensativo,
afundou na realidade
da crua barbaridade
desse ritual primitivo.

Já faz tempo --- muito tempo,
que um dia --- na falta doutro,
castrou seu primeiro potro,
um zaino negro tapado.
Que pena vê-lo castrado,
o entreperna coloreando
e os olhos recriminando,
num protesto amargurado.

Depois do zaino --- um tordilho,
depois --- baios e gateados,
um por um sacrificados
pela faca carneadeira
e o rude altar da mangueira
a pedir mais sacrifícios
dos bravos fletes patrícios,
titãs de campo e fronteira.

Por muitos e muitos anos
andou nos galpões do pampa,
castrando pingos de estampa
com renomada experiência,
cavalos reis de querência,
parelheiros afamados,
pela faca condenados
a morrer sem descendência.

Às vezes, durante a noite,
um pesadelo o volteia
e o remorso paleteia.
Castrador!... que judiaria!
E quando sem serventia
por aí deixar semente
no mundo onde há tanta gente
pedindo essa cirurgia.

E ali está --- defronte ao rancho,
pastando o mouro do arreio,
pingo de campo e rodeio
que castrou --- quando potrilho.
O mouro --- mesmo que filho
do xirú velho campeiro,
o último companheiro
do seu viver andarilho.

Na primavera --- outro dia,
um potranca lazona,
linda como temporona,
vestida em pelagem de ouro,
veio se esfregar no mouro,
mordiscando pelo e crina,
mais amorosa que china
num princípio de namoro!

E o mouro? --- pobre do mouro!
Não pode ter namorada.
Veio, direto à ramada,
numa agonia sem fim,
olhando pro dono, assim,
num bárbaro desespero,
como dizendo: parceiro,
vê o que fizeste de mim!!